Os termos epidemia e pandemia, são compostos por palavras gregas, “EPI” significa próximo, perto , “PAN” faz referência a todo, tudo e “DEMOS” em grego é povo, fácil concluir que epidemia é o surto de uma doença infecto contagiosa que atinge uma região ou um país, por sua vez a pandemia também é uma doença infecto contagiosa que se estende por muitos países.
Para o surto de uma doença ser considerado pandemia a OMS leva em consideração se o agente causador possui um acentuado poder de contágio e se é de transmissão generalizada, portanto é secundário a gravidade e a mortalidade da doença.
Passamos por um período que até poucos meses era inimaginável, nos vemos frente a um inimigo oculto, traiçoeiro, poderoso, altamente contagioso que se transmite facilmente pelo contato homem-homem, sem nenhum vetor, que provoca uma doença fatal em alguns grupos etários posto que não existe tratamento eficaz, não temos vacinas para nos imunizar, que nos traz um grande ensinamento, a maioria dos países não estavam preparados para enfrentar a pandemia.
Como foi a pandemia na história?
A humanidade convive com pandemias desde antes de Cristo, em 430 AC foi descrita primeira Peste Negra cujo agente etiológico é uma bactéria transmitida pela picada da pulga do rato e dizimou 1/3 da população greca, após esta passamos por diversas outras pandemias, meados de 1300 DC a mesma Peste Negra arrasou a Europa e o Leste da Ásia, estima-se que cerca de 50% dos habitantes da Europa tenham morrido pela peste.
O termo quarentena vem dessa época, porque os marinheiros tinham que aguardar quarenta dias antes de desembarcarem dos navios que aportavam em Veneza.
Não podemos nos esquecer da Varíola, causada por um vírus, os primeiros relatos são de três mil anos atrás, essa doença vem carregada por uma curiosidade foi a primeira doença a ter uma vacina para sua prevenção que começou a ser usada para imunizar a população em 1798, somente em 1980 a OMS considerou a Varíola erradicada no mundo depois de duzentos anos do início do uso da vacina.
Neste século tivemos em 1910 surto de Cólera, a Gripe Espanhola foi de 1918 a 1920, uma nova epidemia a Gripe Asiática com início em 1956, depois de doze anos outra pandemia a Gripe Hong Kong, em 2009 o vírus H1N1 foi responsável pela pandemia chamada de Gripe Suína.
Terminamos o século XX com a pandemia HIV/AIDS, presume-se que levou a vida de trinta e seis milhões de pessoas e ainda faz vítimas, na África vivem atualmente em torno de trinta e cinco milhões de pessoas infectadas por HIV.
Quase todas pandemias causam problemas sociais, econômicos e políticos, simultaneamente com as mortes os países sofrem com fome severa, revoltas civis, fatos relatados na história das grandes pandemias anteriores.
Fases da pandemia, segundo a OMS
Lembremos a maioria das pandemias foram provocadas por vírus que contaminavam animais, após sofrerem mutação passaram a infectar os humanos.
Para a OMS as pandemias têm 6 fases e dois períodos a saber:
Fase 1 Normalidade, nessa fase os governos devem se preparar para o próximo surto elaborando planos de combate e ajuda aos cidadãos, formação de fundos de recursos sejam de materiais e equipamentos ou monetários;
Fase 2 Detecção de vírus circulando, esse é o momento de informar a população sobre cuidados de higiene e outros meios de proteção;
Fase 3 Aparecimento de casos isolados, teremos que aumentar a vigilância, criar planos de tratamento, estudar o agente causador, preparar o sistema de saúde;
Fase 4 Transmissão de humanos estabelecida, isso obriga a isolar a área geográfica, monitorar os doentes e reduzir as atividades comerciais, de serviço e industriais;
Fase 5 O agente etiológico atinge países vizinhos nesse momento teremos que promover ações para conter a contaminação aumentando o distanciamento entre indivíduos e fechamento de fronteiras;
Fase 6 O vírus atinge diversos países e continentes devemos ter esforço mundial conjunto, nessa fase a saúde da população está severamente afetada, a economia está abalada e a segurança pode ser altamente comprometida, as autoridades devem tomar atitudes para evitar o caos no sistema de saúde, na economia e proteger a sociedade.
Período Pós Pico Após se constar queda no número de infectados e das mortes a vida volta ao normal de maneira gradual e controlada, no entanto a vigilância será redobrada porque podemos ter um aumento de casos, toda estrutura deve continuar mobilizada.
Período pós Pandemia O número de mortes voltou ao nível da serie histórica, as autoridades precisam analisar as medidas tomadas e promoverem melhorias e correções em protocolos, nesse momento não se discuti o “Se” e sim o “Quando” a próxima epidemia voltará.
Minha opiniáo como médico sobre a Pandemia
Como médico acompanhei 4 pandemias, a grave epidemia de Meningite de 1974, estou atônito, perplexo diante da situação do Brasil, os governantes se digladiam, foram surpreendidos, só eles não sabiam que tivemos um grave pandemia ou epidemia em todas as décadas de 1950 para essa data, pelas decisões tomadas e medidas adotadas fica claro que nenhum deles tem um plano de ação para servir de norte, a ponto do último ministro da saúde de plantão, dizer que precisava analisar os dados antes de tomar qualquer atitude, fazem questão de trabalharem sem nenhuma coordenação, estamos em um navio sem comandante, estamos ao Deus dará.
As ações tomadas por nossas autoridades são de tibieza risível, hoje não é para usar máscara, amanhã será obrigatório, o rodízio de carros acabou, na semana que vem ele volta, de repente tem autoridade fazendo propaganda de remédio prometendo cura, o isolamento para um deve ser vertical o outro grita que vai fazer isolamento horizontal, a genial ideia de antecipar dois ou três feriados deve acabar com a pandemia.
Assistimos boquiabertos a dança de ministros da saúde em trinta dias já tivemos dois, estamos indo para o terceiro, entre essa troca, o ministro da justiça (escrevo com letra minúscula porque não merecem o uso da maiúscula) pediu demissão e imediatamente acionou a sua metralhadora giratória. Os presidentes dos três poderes da República usam as mídias para criticarem uns aos outros e adotarem a postura do “aqui quem manda sou eu”, os senadores e deputados disputam cargos e só votam medidas a favor do povo, se ganharem algo em troca.
Em blog anterior dissemos, que a crise na pandemia também era política, só os nossos dirigentes não sabiam.
A economia do país já era cambaleante, ela dava um passo a frente e dois para trás, neste momento nos encontramos no fundo do poço cavando com uma picareta, cada tostão que recebemos como auxílios ou isenção de impostos chegam carregados de praga, imprecação.
Esse dinheiro é nosso presidente, governadores, ministros, secretários , vocês são funcionários públicos, os altos salários que recebem saem do bolso do povo, dinheiro conquistado com muito suor e vocês agora devolvem como um sujeito arrogante que dá esmola a pobres.
Em blog anterior, dissemos que a crise na pandemia também era econômica, só os nossos dirigentes não sabiam.
Na capital do país um grupo de profissionais da saúde foi agredido por adeptos de um político “pai da Pátria”, outros companheiros deles atacaram jornalistas, quando deveríamos nos isolar assistimos a passeatas e manifestações públicas, umas são contra, outras são a favor de algum político, que por sua vez está se aproveitando da crise para continuar montando esquemas de corrupção, roubando o povo na compra de equipamentos destinados ao tratamento de doentes acometidos pelo COViD19.
Cenário brasileiro de pandemia e algumas dicas aos governantes
Em blog anterior, dissemos que a crise na pandemia era de segurança pública, só os nossos dirigentes não sabiam.
Já que eles não sabem nada, mesmo sendo repetitivo vamos tentar explicar aos dirigentes algumas situações que fatalmente irão ocorrer quando a pandemia acabar.
A vida deve voltar ao normal de maneira gradual e controlada, redobrem a vigilância, porque podemos ter um aumento repentino de casos, toda estrutura deve continuar mobilizada.
Quando tudo voltar ao normal senhores dirigentes analisem as medidas tomadas e promovam melhorias e correções em protocolos, para não passarem vergonha novamente, resolvam o uso das máscaras, como será o isolamento, não esqueçam do rodízio de carros e antecipar feriados.
Repetimos, nesse momento não se discuti o “Se” e sim o “Quando” a próxima epidemia voltará.
Agora vem o período eleitoral vocês logicamente não terão tempo para pensar nos problemas brasileiros, depois das eleições não esqueçam de procurarem soluções para eles, a título de sugestão vai aí nossa humilde contribuição, uma pequena lista de temas que poderão ser discutidos:
- Dengue;
- Febre Amarela;
- Zika;
- Chikungunya;
- Doença de Chagas;
- Esquistossomose;
- Hepatite A
Desculpem a falha, não coloquei na lista, Saneamento Básico.
Para terminar, sugiro às autoridades a leitura do livro “A Próxima Peste” de Laurie Garret, ele está esgotado, mas pode ser que o ministério da saúde tenha um exemplar, logicamente nunca alguém leu.
“Quando os humanos batem boca, os vírus se multiplicam”
Yuval Noah Harari
Leia mais em: Covid-19 e o pós – quarentena: Como lidar com a saúde mental dos colaboradores



